Pffff “E cresceste. Entraste de rompante num mundo desconhecido. Tão desconhecido quanto abstracto, não idealizado, não pensado, não esperado. Nele aprendeste a errar e a aceitar. Então de verdade. Conheceste, experienciaste e alcançaste. Aprendeste a rasgar as roupas de alguém com os pensamentos e não com as tuas mãos quase insípidas. E desses anos de glória nasceu a vontade de triunfar, a saudável ambição de querer ir mais longe para não teres que regressar aos primeiros passos da vitória e da garra, ainda que te tenha vestido o carácter que possuis hoje.”

Pffff

“E cresceste. Entraste de rompante num mundo desconhecido. Tão desconhecido quanto abstracto, não idealizado, não pensado, não esperado. Nele aprendeste a errar e a aceitar. Então de verdade. Conheceste, experienciaste e alcançaste. Aprendeste a rasgar as roupas de alguém com os pensamentos e não com as tuas mãos quase insípidas. E desses anos de glória nasceu a vontade de triunfar, a saudável ambição de querer ir mais longe para não teres que regressar aos primeiros passos da vitória e da garra, ainda que te tenha vestido o carácter que possuis hoje.”

“É quando caímos. É quando a queda é bem alta e o buraco bem fundo, é quando nos reviramos na lama que se torna em areias movediças, em que nos afundamos se lutamos e nos afundamos se paramos. É quando nem o orgulho nos resta e somos pouco mais que um monte de trapos. É nessa altura, quando levantar só a cabeça dói mas escolhemos erguer-nos, de pernas bambas e coração desfeito, que crescemos. Que nos endurece o coração e nos enrijecem as fibras que nos fazem. Que se retesam os músculos e se reconstrói um ego, peça a peça, migalha a migalha. É aí que se cresce. De verdade. É nesse erguer que está a coragem, que está a essência, que se aprende a lição.”
Mágoa “Mágoa. […] Está para lá da tristeza, da solidão, do desejo de lutar pelo que já se perdeu, da raiva de não ter o que mais se queria, da pena de ter deixado fugir um grande amor, por ser demasiado grande. Primeiro grita-se, barafusta-se, soluça-se em catadupas, fazem-se esperas, mandam-se flores, livros sublinhados, convocam-se os amigos para em quórum planearem connosco uma estratégia de recuperação, sente-se aos solavancos e come-se sem mastigar, num torpor raivoso e revoltado. A vida vai mais depressa do que nós, passa-nos por cima e os dias comem-se uns aos outros. Só queremos que o tempo corra para nos apaziguar a dor e acalmar os papos nos olhos. Depois é o pós-guerra, a rendição, a entrega das armas e as sentenças de um tribunal marcial interior, em que os juízes são a vida e o réu, o que fizemos dela. Limpam-se os destroços, enterram-se os mortos, tratam-se os feridos que são as nossas feridas, feitas de saudades, desencontros, palavras infelizes e atitudes insensatas, medos, frustrações e tudo o que não dissemos. Há quem se rodeie de amigos, durma com antigos casos, se enrole numa manta de xadrez e se torne o mais fiel cliente do clube de vídeo da esquina. Há quem tome calmantes, absorva vodka em noitadas vazias como uma esponja inútil, se mude outra vez para casa da mãe, ou parta em uma viagem para um local turisticamente muito apetecível. O pior é quando se chega lá, apetece tudo menos lá ficar. Percebemos que não há longe nem distância para a dor, e que nenhum amante, amigo, mãe, irmão, droga ou bebida matam a saudade do que já fomos ou de quem já tivemos nos braços. A mágoa chega então, quando o cansaço já não nos deixa sentir mais nada. É silenciosa e matreira, instala-se sem darmos por ela, aloja-se no coração e começa a deixar sinais aqui e ali, dentro de nós. A pouco e pouco sentimos que já não somos a mesma pessoa.  As cicatrizes podem esbater-se com os anos e ser remendadas com hábeis golpes de plástica, mas ficarão para sempre debaixo dos excertos que fazemos à alma. O cansaço mata tudo. A raiva de não termos quem tanto amámos, a fúria de não sermos donos da nossa vontade, o orgulho de termos perdido quem mais queríamos. Só não mata as saudades e a vontade de continuar a sonhar que um dia pode mudar outra vez e libertar-nos de nós mesmos e do sofrimento, tão grande quanto involuntário, tão patético quanto verdadeiro. Às vezes, quando a mágoa é enorme e sufoca, vegetamos em silêncio para que ela não nos coma. Fingimos que está tudo bem, rimo-nos de nós próprios perante os outros e até mesmo perante o outro que vive dentro de nós. Tornamo-nos espectadores da nossa dor. Afastamo-nos de nós, do que somos, daquilo em que acreditamos. No fundo estamos a desistir, como quem volta atrás porque tem medo do escuro, vencidos pela desilusão cansadas de esperar em casa que o mundo pare e se lembre de nós. Mas o mundo nunca pára. Nada pára. A vida foge, os dias atropelam-se, é preciso continuar a vivê-los, mesmo com dor, mesmo com mágoa. Pelo menos a mágoa magoa, faz-nos sentir vivos. Arde no peito e no orgulho, mas pouco a pouco vai matando a dor. Torna-se a nossa companheira mais próxima, deixando de nos defender da tristeza que se vai consumindo como uma vela esquecida num presépio morto que uma corrente de ar ou um novo sopro de vida um dia apagará. Mas isso só é possível quando conseguirmos esquecer.”

Mágoa

“Mágoa. […] Está para lá da tristeza, da solidão, do desejo de lutar pelo que já se perdeu, da raiva de não ter o que mais se queria, da pena de ter deixado fugir um grande amor, por ser demasiado grande.
Primeiro grita-se, barafusta-se, soluça-se em catadupas, fazem-se esperas, mandam-se flores, livros sublinhados, convocam-se os amigos para em quórum planearem connosco uma estratégia de recuperação, sente-se aos solavancos e come-se sem mastigar, num torpor raivoso e revoltado. A vida vai mais depressa do que nós, passa-nos por cima e os dias comem-se uns aos outros. Só queremos que o tempo corra para nos apaziguar a dor e acalmar os papos nos olhos.
Depois é o pós-guerra, a rendição, a entrega das armas e as sentenças de um tribunal marcial interior, em que os juízes são a vida e o réu, o que fizemos dela.
Limpam-se os destroços, enterram-se os mortos, tratam-se os feridos que são as nossas feridas, feitas de saudades, desencontros, palavras infelizes e atitudes insensatas, medos, frustrações e tudo o que não dissemos. Há quem se rodeie de amigos, durma com antigos casos, se enrole numa manta de xadrez e se torne o mais fiel cliente do clube de vídeo da esquina. Há quem tome calmantes, absorva vodka em noitadas vazias como uma esponja inútil, se mude outra vez para casa da mãe, ou parta em uma viagem para um local turisticamente muito apetecível.
O pior é quando se chega lá, apetece tudo menos lá ficar. Percebemos que não há longe nem distância para a dor, e que nenhum amante, amigo, mãe, irmão, droga ou bebida matam a saudade do que já fomos ou de quem já tivemos nos braços.
A mágoa chega então, quando o cansaço já não nos deixa sentir mais nada. É silenciosa e matreira, instala-se sem darmos por ela, aloja-se no coração e começa a deixar sinais aqui e ali, dentro de nós. A pouco e pouco sentimos que já não somos a mesma pessoa. 
As cicatrizes podem esbater-se com os anos e ser remendadas com hábeis golpes de plástica, mas ficarão para sempre debaixo dos excertos que fazemos à alma.
O cansaço mata tudo. A raiva de não termos quem tanto amámos, a fúria de não sermos donos da nossa vontade, o orgulho de termos perdido quem mais queríamos. Só não mata as saudades e a vontade de continuar a sonhar que um dia pode mudar outra vez e libertar-nos de nós mesmos e do sofrimento, tão grande quanto involuntário, tão patético quanto verdadeiro.
Às vezes, quando a mágoa é enorme e sufoca, vegetamos em silêncio para que ela não nos coma. Fingimos que está tudo bem, rimo-nos de nós próprios perante os outros e até mesmo perante o outro que vive dentro de nós. Tornamo-nos espectadores da nossa dor. Afastamo-nos de nós, do que somos, daquilo em que acreditamos. No fundo estamos a desistir, como quem volta atrás porque tem medo do escuro, vencidos pela desilusão cansadas de esperar em casa que o mundo pare e se lembre de nós.
Mas o mundo nunca pára. Nada pára. A vida foge, os dias atropelam-se, é preciso continuar a vivê-los, mesmo com dor, mesmo com mágoa. Pelo menos a mágoa magoa, faz-nos sentir vivos.
Arde no peito e no orgulho, mas pouco a pouco vai matando a dor.
Torna-se a nossa companheira mais próxima, deixando de nos defender da tristeza que se vai consumindo como uma vela esquecida num presépio morto que uma corrente de ar ou um novo sopro de vida um dia apagará. Mas isso só é possível quando conseguirmos esquecer.”

“Um dia vais perceber que tal como o corpo precisa de descanso, o coração precisa de sossego. E no dia em que perceberes isso, vais entender que a estabilidade não é só o melhor, mas o único remédio.”
“Não insistas no que já não existe, no que já passou. É como tentares vestir aquelas tuas calças preferidas que já não entram. Apertam, magoam, vincam. Enquanto cresces o número muda: de experiências, de marcas, de desafios, de desilusões, de derrotas e de vitórias. Se esqueceres o que queres, começas a entender o que mereces.”
“So often, we settle for second best because we think that we’re not good enough. We jump at the first thing that comes along because we don’t believe that, with our abilities, we are able to get anything better. Sometimes, we have so little faith in our own talents, we let them go to waste by not reaching our full potential. You can do a lot more than what you are doing now. How many times have we been afraid to show confidence in our own abilities? You chose not to do something, even though you really wanted to do it, because you thought you weren’t good enough. Because you were afraid of what other people would think. The only person losing out is you. and you will be the sorriest person if you missed out on something wonderful just because you were scared, or because you didn’t want to see how amazing you are. Don’t be afraid to stand out. Don’t be afraid to have standards. Don’t grab the first thing that comes by because you’re afraid something is too hard or too pristigious for you. Don’t give everything you have to a guy who doesn’t deserve you. Trade up, not down. Climb. Don’t fall. Shine. Because you can. Why go through life unnoticed?”
“I really went through a fire, and I was thinking there are lots of things I like a lot, but I’m not that attached that I couldn’t be without them. You know? What happened was that a young man who lived underneath me left his cigarette burning, and went across the street at three o’clock at night to have a cup of coffee. It was an old building, a very old building, and so the whole front was burning. I asked myself what can I say from this—what good can come out? The only good thing is that you realize whatever you possess are THINGS. And so it’s not easy to replace anything you’ve painted, but—they are THINGS. You—alive! The best thing you have is your life, you see? And this is why now, in my old age, I feel if anything happens… I mean there are certain things—like you might have a certain brush, but you can work it out and get another one, you know. Almost anything is replaceable, except your life. And that is what’s important.”